CODEVASF REALIZA AÇÃO PARA CONVIVÊNCIA COM A SECA NO NORTE BAIANO

Mais de 800 famílias de agricultores familiares serão beneficiadas com a construção de pequenas aguadas, também conhecidas como barreiros, em cerca de 80 comunidades rurais no Norte da Bahia. A ação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) visa garantir água para a sobrevivência de pequenos rebanhos e assegurar a produção de hortaliças e forragens. O investimento do governo federal, por meio do Ministério da Integração Nacional e da Codevasf, é de aproximadamente R$ 3,9 milhões. As obras são executadas pela 6ª Superintendência Regional da Companhia, sediada em Juazeiro.

Os barreiros estão sendo construídos com sangradouros, feitos com argamassa e pedras, e servirão para acumular água da chuva por um período de até um ano. “Em muitas situações, os barreiros tornam-se o único reservatório de água disponível para a comunidade, o que demonstra a grande importância da ação”, ressaltou a engenheira civil da Codevasf Márcia Araújo de Almeida, que acompanha o contrato de execução das obras. A estimativa é de que cada barreiro terá condições de armazenar em média três mil metros cúbicos de água no período chuvoso, previsto para começar na região no final do ano.

Visita às comunidades

O superintendente regional a Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar Silva Neto, foi até o distrito de Itamotinga, a cerca de 72 quilômetros da sede de Juazeiro, onde estão sendo construídos barreiros nas comunidades de Sítio Sacramento e Fazenda Baraúna, onde vivem cerca de 100 famílias. Misael Neto verificou o andamento dos trabalhos e conversou com agricultores familiares. “Com a chegada do período das chuvas, essas obras devem garantir o acesso à água, melhorar a vida dessas comunidades e proporcionar a possibilidade de uma melhor convivência com a seca”, destacou.

O aposentado Elói Rodrigues da Silva, de 74 anos, vive em uma casa com oito pessoas, entre filhos e netos, e possui um rebanho de pequenos animais na Fazenda Baraúna – onde também planta milho, feijão e palma forrageira usando água de um poço artesiano. Ele pretende aumentar o rebanho de animais e a área da horta, com o objetivo de até vender os produtos excedentes. “Só está faltando a chuva para encher o barreiro”, disse.

Casada com Elói há 43 anos, a agricultora Mailde Rodrigues da Silva está muito satisfeita com a construção do barreiro perto de casa, e da janela observa diariamente a realização dos serviços. Ela percebeu que a bacia do barreiro é composta por pedras, o que dificulta a absorção da água e matem o líquido disponível por mais tempo.

“Nossa situação vai melhorar muito, depois desse barreiro, e ele está quase concluído, só falta o sangradouro, e a chuva, claro”, comemorou a agricultora. Quem também está ansioso para a conclusão dos serviços é o agropecuarista Dário José Ferreira Evangelista, de 70 anos, que reside com mulher e dois filhos no Sítio Sacramento, onde as obras estão em fase adiantada.

“Isso aqui foi um milagre. Vai ser bom demais, porque a gente sofria aqui por água e plantava pouca coisa, mas agora com esse barreiro vamos poder plantar um feijão, um capim, uma fruteira. Agora, Deus querendo que a chuva encha o barreiro, pronto – acabou o problema com água. Eu estou sorrindo só de olhar para ela (obra)”, afirmou o agropecuarista durante a conversa com o superintendente.

Chuvas na região

Segundo dados da Embrapa, colhidos nas estações meteorológicas de Bebedouro, em Petrolina (PE), e Mandacaru, em Juazeiro (BA), a precipitação pluvial na região é muito variável. Nos últimos 30 anos, o total anual médio é de 567 mm em Petrolina e 542 mm em Juazeiro. O período chuvoso ocorre de novembro a abril, onde são registrados 90% do total anual. No período de janeiro a abril foram registrados 68% do total anual.

Em Petrolina, março é considerado o mês com maior índice (136,2 mm); e agosto, o de menor incidência de chuvas (4,8 mm). Em Juazeiro, os índices variam no mesmo período entre 139,6 mm e 17 mm. A estimativa técnica é de que chovam por ano 450 mm, mas em 2016 essa média caiu para 170 mm.

Fonte: Codevasf

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