Família contrata empresa para escavar poço e buscar restos mortais de médico

Família contrata empresa para escavar poço e buscar restos mortais de médico

9 de julho de 2018 0 Por Por Lucas Nunes

A família do cardiologista Denirson Paes da Silva, 54 anos, encontrado esquartejado e carbonizado na cacimba de casa, em Aldeia, contratou uma empresa especializada em perfuração de poços para ampliar a área de busca por mais restos mortais do médico. A suspeita é de que ainda há partes do corpo no local. O material deverá ser coletado por peritos do Instituto de Medicina Legal (IML). Parte do pagamento já foi realizado ao estabalecimento. Foram pagos 50% e o restante será liquidado com o término do serviço.

A empresa também deverá retirar metralhas encontradas dentro cacimba. Os entulhos foram jogados para esconder o corpo. A polícia acredita que parte da parede do quarto localizado na área de lazer da residência tenha sido derrubada. A reforma do local, que era usado para guardar ferramentas de jardinagem, foi constatada em perícia.

O caso é acompanhado por dois primos de Denirson que estão no Recife desde a semana passada quando o médico ainda estava desaparecido. Os familiares estão aguardando a identificação oficial da vítima, o que deve acontecer através do exame de DNA, e liberação dos restos mortais da vítima.

De acordo com o pai de Denirson, o aposentado Francisco Ferreira da Silva, 79, os restos mortais serão enterrados em Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, cidade natal da família. “Só penso em trazer o corpo para cá, mas nem no caixão eu vou poder ver por causa do estado de decomposição. A Justiça para mim não interessa mais. Não sou uma pessoa vingativa. Isso não me dá ganho nenhum porque o único que eu queria era ele em pessoa. Então não tenho nada para esperar agora”, afirmou Francisco.

Filho mais novo passará temporada na casa dos avós paternos

Desde o último domingo, o filho mais novo de Denirson Paes da Silva, Daniel Paes, 20, está no aconchego da casa dos avós, em Campo Alegre de Lourdes (BA), onde deverá passar uma temporada. Por causa da tragédia, a empresa em que o jovem trabalha concedeu uma licença de um mês, sem prejuízo do salário. Ainda muito abalado, ele evita falar sobre o assunto até mesmo com os parentes. Nem mesmo a casa onde morou durante toda vida ele pensa em voltar.

Segundo o avó parteno, o neto pensa em procurar um apartamento no bairro da Madalena, próximo ao local onde estuda, a Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (Fcap). “Ele não quer nem ir lá mais.  Quando voltar para Recife quer morar num lugar bem diferente. Ele também não quer falar com mais ninguém porque não quer que coisas sejam ditas na presença dele (chamarem Jussara de assassina, por exemplo). Sobre o estudo, ele está perdendo prova, mas disse que depois resolve”, contou o aposentado.

Daniel Paes também não visitou a mãe, Jussara Rodrigues da Silva Paes, presa na Colônia Penal Feminina Bom Pastor do Recife, nem o irmão, Danilo Paes, no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel). Eles estão presos desde a última sexta-feira (6), após a juíza Marília Falcone conceder pedido de prisão temporária deles (por 30 dias) por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Jussara Rodrigues da Silva Paes e o filho, Danilo Paes, estão presos preventivamente por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Foto: Reprodução/Facebook

Jussara Rodrigues da Silva Paes e o filho, Danilo Paes, estão presos preventivamente por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Foto: Reprodução/Facebook

Jussara foi transferida para cela especial

O advogado de Jussara e Danilo, Alexandre Oliveira, entrará com pedido de Habeas Corpus na Justiça nesta terça-feira (10).  Segundo ele, o juiz não irá analisar o mérito da questão, ou seja, se os suspeitos cometeram ou não o crime. “Nesse momento iremos trabalhar a liberdade provisória deles. A fundamentação da delegada fala que se eles ficarem soltos, iriam atrapalhar a investigação. Só que pelo contrario: em todo tempo a Jussara procurou contribuir”, disse o advogado.

Apesar da justificativa do advogado, Jussara e Danilo usaram do direito de se manter em silêncio durante o interrogatório feito pela delegada do caso, Carmem Lúcia, na última quarta-feira (4), após serem autuados em flagrante pela ocultação de cadáver.

Com formação em Farmácia, Jussara Rodrigues foi transferida nesta segunda-feira (9) para uma cela especial reservada para presas que têm nível superior. O advogado providencia ainda a transferência de Danilo. “Como ele se formou em Engenharia faz pouco tempo (em março deste ano), ele ainda não tem o diploma. Ele tem uma certidão, que eu não conseguir encontrar na casa. Se eu não achar, vou na universidade pedir uma segunda via”, disse Alexandre Oliveira.

Também nesta segunda-feira, o advogado levou um colchonete, roupas, e materiais de higiene para Danilo Paes, no Cotel.

Fonte: www.op9.com.br