FOTOS | Manifestantes que bloqueiam acesso das empresas às torres de transmissão das operadoras Vivo, Tim e Oi em Sento Sé, querem garantias de direitos para liberar o acesso

FOTOS | Manifestantes que bloqueiam acesso das empresas às torres de transmissão das operadoras Vivo, Tim e Oi em Sento Sé, querem garantias de direitos para liberar o acesso

14 de novembro de 2015 0 Por Por Lucas Nunes

Depois de um contato com os manifestantes no dia 12/10, feito por José Calos e Francelino Carvalho (presidente e tesoureiro do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sento Sé – SINSERSB), fui convidado como fotógrafo e blogueiro para ir ao acampamento conversar com os manifestantes e registrar imagens de suas instalações. Na sexta-feira, 13/10, fomos até o acampamento para saber quais as principais reivindicações dos manifestantes.

Os manifestantes pertencem ao Movimento dos Atingidos por Barragens e representa mais de trezentas famílias de varias localidades do município de Sento Sé, dentre elas, as comunidades de Brejo de Fora, Brejo de Dentro, Minas do Encaibro, Olho D’agüinha, Poço do Angico e Piçarrão, estão ali reivindicando garantias de direitos violados pelas empresas de telefonia, pelo estado e pelo governo municipal, dizem que para liberarem a via de acesso as torres das operadoras Vivo, Oi e Tim terão que ter as garantias acordadas.

As principais reivindicações identificadas foram:

Que as operadoras Vivo, Oi e Tim garanta o direito a comunicação fixa, móvel e digital para as comunidades que o movimento representa e que contribuam com o desenvolvimento local das comunidades impactadas com as instalações das torres, criando e/ou apoiando projetos sociais, obras estruturantes e comunitárias;

Que o Governo do Estado garanta às populações atingidas por barragens e empreendimentos públicos ou privados, os direitos à permanência e soberania em suas terras e territórios, principalmente com a regularização dos títulos das terras;

Que o Governo Municipal garanta a manutenção e melhoria das estradas vicinais, abastecimento de água regular, transporte escolar, acesso a tratamento de saúde para as comunidades que o movimento representa.

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Os manifestantes estão decididos a continuar com o bloqueio da estrada que dar acesso as torres das operadoras, impedindo as empresas de trabalharem e regularizarem o sinal de telefonia, enquanto ações e providencias urgente não forem tomadas. As razões são porque acordos anteriores não foram cumpridos.

Fui informado pelos manifestantes que a operadora Vivo não cumpriu com um acordo firmado com a comunidade no ano de 2014, que era de melhorar 9 km de estrada, via de acesso as torres e da comunidade de Minas de Encaibro e também da ampliação do sinal da operadora. Outro acordo quebrado foi com os governos municipal e estadual. Alegam que o prefeito de Sento Sé, o representante da Chesf e o representante da Codevasf não compareceram a uma reunião previamente marcada para o dia 10 de outubro do ano em curso, com o MAB e Irpaa quebrando a confiança com os mesmos.

MG_0131-300x200Os manifestantes esclareceram que foram acusados injustamente de terem cometidos atos de vandalismos, de terem carregado baterias da torre da operadora Vivo, disseram que no dia 27/10, um caminhão com equipamento da operadora Tim que está instalando uma torre de transmissão na serra da comunidade de Minas de Encaibro, onde a Vivo e a Oi já tem suas torres instaladas, puxou os fios da rede de energia elétrica quebrando dois postes, causando a falta de fornecimento de energia elétrica para a comunidade e para a torre de transmissão da Vivo. A empresa que está construindo uma torre da Tim foi quem causou o impedimento do fornecimento do sinal da Vivo. Depois do acidente o técnico da operadora Vivo esteve no local, verificou o descarregamento das baterias, fez serviços na caixa de energia elétrica (foto) e colocou um cadeado fechando o local onde a torre está instalada. Só no dia 28/10, o pessoal da comunidade decidiu instalar o acampamento e bloquear o acesso impedindo as empresas das operadoras Tim e Vivo de trabalharem e restabelecer o sinal, condicionando a liberação do acesso a um dialogo das operadoras com os manifestantes para discutir sobre a permanência delas na comunidade e compromissos de disponibilidade do sinal para comunicação fixa, móvel e digital para as comunidades próximas das torres que vivem isoladas sem acesso a comunicação.

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A partir do dia 28/10, com a falta do sinal da operadora Vivo nas cidades de Remanso, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lurdes e Sento Sé, já receberam as visitas da Policia Civil, Policia Militar, do Vice-Prefeito de Sento Sé, mas todos com o objetivo de convencerem a desobstruir o acesso para as operadoras, nunca em defesa dos manifestantes que tem seus direitos violados. Por ultimo, informaram que uma Oficial de Justiça da comarca de Sento Sé compareceu ao acampamento, de moto, com um pedido de reintegração de posse, mas que não convenceu os manifestantes com sua identificação e que os mesmos não assinaram o pedido de reintegração. Ao entraram em contato com os advogados do MAB, depois que foram informados do pedido de reintegração de posse, os advogados descobriram que o numero do processo referir-se a ação de uma comunidade chamada Santa Rita. Esse provável erro está impedindo os advogados de contestar o pedido de reintegração.

No final da tarde enquanto conversava com os manifestantes foram trazidas mais duas informações ao acampamento. Uma que a empresa Vivo entrou em contato com representante do Governo do Estado e marcaram uma reunião para segunda-feira em Salvador com   representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens. A outra informação foi que também na segunda-feira a policia vai ao acampamento, não informaram a hora, esperam que para dar segurança a eles e não para defender as empresas que exploram o local sem nenhuma contribuição social como contra partida para as comunidades.

O Movimento dos Atingidos por Barragens, com suas manifestações e e pauta de reivindicações estão se tornando notório, com isso, tem esperanças de melhorias para suas comunidades.

Por Odair Oliveira, com informações dos manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens

Confiram as imagens abaixo:

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