Servidores de Fartura do PI cruzam os braços contra atraso de salários

Servidores municipais do município de Fartura do Piauí, a 568 km de Teresina, paralisaram as atividades nesta terça-feira (17) e realizaram uma manifestação em uma praça da cidade. Professores, auxiliares de serviços gerais e auxiliares de serviços administrativos cobram os vencimentos do mês de outubro e a manutenção da regularidade nas datas de pagamento.

Pelo menos 50 trabalhadores participaram do ato. De acordo com a presidente do Sindicato dos Professores de Fartura do Piauí, Maria Selma Rodrigues, os pagamentos da folha salarial são efetuados sempre com atraso ao longo do ano. Segundo ela, caso a situação não seja regularizada os servidores irão parar por tempo indeterminado.

“Amanhã nós vamos retornar às salas, mas se não houver resposta poderemos continuar o movimento. A única conversa que temos é com a secretária de educação, mas ela não dá uma justificativa plausível para essa situação. Os meses de maio, junho e julho nós só recebemos através de uma ação na Justiça do Trabalho e até agora estamos sem receber o mês de outubro”, disse.

A professora denuncia ainda outro problema na educação de Fartura do Piauí. Segundo ela, durante a semana os veículos do transporte escolar ficaram dois dias sem circular devido a falta de combustível, fazendo com que os alunos da rede municipal não tivessem aula nas duas ocasiões.

Procurada pela reportagem do G1, a secretária de educação de Fartura do Piauí, Josélia da Silva Neta, disse que os pagamentos de outubro realmente estão atrasados, mas garantiu que eles serão efetuados ainda nesta terça-feira (17). Segundo ela, o atraso ocorreu por conta de um problema com o sistema de informática que gerencia a folha de pagamento.

“Eles só estão com o mês de outubro sem receber e acho que não é motivo para fazer manifestação. A pessoa que gerenciava o sistema de informática que usamos foi mudada, houve um problema e teve que cadastrar todo mundo novamente. Esse problema gerou o atraso, mas já foi resolvido e pagaremos os professores ainda hoje. Os auxiliares e motoristas serão pagos dia 20”, garantiu a secretária.

Josélia negou que os pagamentos vêm sendo feitos com atraso ao longo do ano. Ela sustenta que nos meses anteriores todos foram feitos ainda dentro do mês. A secretária também contesta a informação de que os ônibus escolares ficaram dois dias sem funcionar por falta de combustível.

“Essa informação não procede. Nós temos problemas de combustível, pois são cinco ônibus rodando direto no município, mas não ficaram dois dias sem aula. Fomos informados pelo rapaz e no mesmo dia resolvemos. Apenas em um dia tivemos alguns que não rodaram”, rebateu.

A secretária relatou diversas dificuldades e disse que falta compreensão com o momento difícil vivido pelo país e mais ainda pela cidade de Fartura do Piauí. Segundo ela, o município enfrenta várias dificuldades financeiras e mesmo assim tem tentado manter os serviços da educação funcionando.

“Não é fácil ser secretária numa cidade pequena como essa. Todos os municípios estão passando por momentos ruins e aqui não é diferente. Ontem mesmo eu conversei com a presidente do sindicato e pedi a ela para não parar as atividades porque estávamos resolvendo, mesmo assim ela resolveu parar. As pessoas precisam compreender o nosso lado”, concluiu.

Problemas antigos
A cidade de Fartura do Piauí ganhou destaque em julho desse ano após ter todas as contas bloqueadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) devido à falta de prestação de contas que se arrastava desde janeiro de 2014. O órgão fiscalizador chegou a pedir intervenção no município.

Uma medida cautelar dada pelo conselheiro Substituto Jaylson Campelo, também determinou a inspeção da Diretoria de Fiscalização da Administração Municipal (DFAM) em Fartura e a imediata apuração das contas de governo. O prefeito da cidade, Permínio Pereira de Santana (PDT), chegou a ser afastado, mas retornou ao posto e continua como gestor do município.

Além da crise administrativa, o município também vive uma crise política que agrava ainda mais a situação. A Câmara de Vereadores decidiu pelo afastamento do prefeito em duas ocasiões em menos de dois meses, mas as decisões foram anuladas na Justiça.

Em janeiro, o Ministério Público abriu um inquérito civil para apurar até mesmo a falta de pagamento dos salários do vice-prefeito, que rompeu com Permínio Pereira no início da gestão e acumulava 25 meses sem receber os vencimentos. Na época, o valor devido ao vice-prefeito ultrapassava a casa dos R$ 100 mil.

Fonte: G1

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