Dona “Moreninha” mãe do médico assassinado fala pela primeira vez após morte do filho

O relógio batia 19h05 quando dona Bertolina Paes da Silva, 76, saiu do portão de desembarque sul do Aeroporto do Recife acompanhada do marido, Francisco Ferreira da Silva, 79, e do neto, Daniel Paes, 20. Era a primeira vez que pisava na capital pernambucana 28 dias após seu filho, o cardiologista Dernison Paes, 54, ser encontrado esquartejado e possivelmente carbonizado na cacimba de casa, em Aldeia. “Olhe minha filha, tá doendo bem aqui, a dorzinha”, disse segurando a mão da repórter contra o seu peito. Os olhos marejados emocionaram a quem a escutava. Foi a primeira vez que falou sobre o assunto.

“Ele (Denirson) era o filho do meu coração. Essa mágoa que estou não acaba nunca. Só quando eu morrer. Eu gostava de cantar, de rezar, eu era uma mulher feliz. Eu dizia que era a mulher mais feliz do mundo porque tenho meus quatro filhos e eram todos sadios. Estou viva só a ponta da língua”, contou Bertolina, conhecida como Moreninha, após vir de Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, cidade natal da família, para passar uma temporada no Recife. A família ficará com Daniel no apartamento de Dernison, em Aldeia.

Denirson era o mais velho dentre os filhos homens de dona Moreninha. Cardiologista no Hospital Getúlio Vargas e no Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), Denirson fazia questão de acompanhar diariamente a saúde da mãe, que tem pressão alta. “Era muito querido. Me dizia o que era para eu comer. Dizia não coma esse peixe que tem colesterol, dizia para não comer açúcar. Me explicava tudo. Meu marido tirava minha pressão, mandava pra ele e ele dizia que estava boa minha pressão. Cuidava tanto de mim”, disse ela para acrescentar que a fé em Deus está sendo o caminho para superar a angústia. O sofrimento e a saudade.

“É muito doloroso. Não quero uma dor dessa para ninguém. Estou me apegando a Deus. Deus está comigo. Não quero cair porque tenho meus outros filhos e não quero que eles adoeçam também. Estou pedindo a Deus que me dê força para não deixar eu cair”. No dia em que descobriu que seu filho havia sido encontrado morto, Moreninha foi parar no hospital. “Fiquei doente, pressão alta. Quando eles me disseram, adormeci todinha, o coração queria sair pela boca. A dor, minha filha. Partiu um pedaço do meu coração, foi embora. Ficou só um pedaço”.

Ao lado de Moreninha, o pai do médico, Francisco Ferreira da Silva, relembrou a última vez que esteve no Recife. “Estávamos conversando e eu disse a ela que a última vez que viemos aqui, descemos do avião e nosso filho estava aqui, nos esperando. Não tenho palavras para definir o que a gente sente, é uma perda”, falou. Daniel, acompanhava toda entrevista dos avós mais afastado, longe das câmeras e microfones. Ainda abalado com o crime bárbaro em que a mãe, Jussara Rodrigues Paes da Silva, e o irmão, Danilo Paes, 23, estão presos suspeitos de matar e ocultar o cadáver do pai, não quis falar.

Além de auxiliar Daniel a retomar a vida e a fazer o inventário dos bens deixados por Denirson, Francisco irá prestar depoimento sobre o caso. A oitiva foi combinada, por telefone, com a delegada de Camaragibe, Carmen Lúcia, responsável pelas investigações. O encontro ainda será agendado.

Fonte: op9.com.br

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